A viagem de comboio!
O dia acordou determinado, o sol fazia questão de marcar presença. Já sentada no banco do comboio, esperando que este desse partida rumo a Lisboa.
Subitamente ouvi uma voz muito suave:
-Posso? – Esboçando um delicioso sorriso.
-Sim! Claro que sim! – Respondi muito abismada com tanta simpatia.
-Temos uma longa viagem pela frente, eu sou a Carolina.
- Prazer, eu sou a Ana Rita.
Depois de pouco tempo de conversa já era notória uma certa cumplicidade.
-Olha Carolina! Olha aquela vaca! – Disse eu tão inocentemente. – Desculpa! Não era a minha intenção!
-Não faz mal! Já estou habituada, não te sintas mal. – Proferiu ela, tão naturalmente, fazendo-me uma carícia no rosto.
Carolina era sem duvida uma rapariga muito especial, não só pelo facto de ser cega, mas sim pela sua maneira de ser, genuína, verdadeira, amorosa e sem igual. Todas as pessoas daquela carruagem olhavam para nós, uns com cara de espanto e outros com cara de desprezo.
- Sabes Ana Rita, quando era pequena o meu pai batia-me por eu ser uma invisual!
Fiquei perplexa, sem saber o que dizer.
- Eu sei não deves saber o que dizer, nem perceber o porque de eu estar a contar isto. – Baixou a cabeça e soltou uma pequena lágrima – sinto-me protegida ao teu lado.
- Podes falar sobre o que sentes apesar de só nos termos conhecido hoje, sinto que és muito verdadeira.
Chegamos a Lisboa e trocamos os nossos contactos, tornando-nos amigas.